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Plantas mestras



Dizem que somos nós, mulheres, que alimentamos material e emocionalmente o mundo. A autora Idania Trujillo tem um livro lindo chamado Las mujeres alimentan al mundo que fala sobre esse papel: dar e nutrir são desde os tempos remotos ações cotidianas na prática de haver nascido mulher. Porém, nós sabemos que não somos somente flores, somos também espinhos. Diante dessa complexa rede que nos forma fico pensando por que a travessia me atrai. Você pode parar e perguntar: que travessia, Vanessa? Esse caminho de buscar a minha saúde, com os corpos emocional, físico, espiritual ou energético. Ou todos eles :)


Nas palavras de Ziley Mora, a partir de sua experiência com a sabedoria mapuche, uma pessoa adoece por causa do weda dungun, ou seja das más palavras que escuta desde pequena,que ficam mal posicionadas na cabeça, no coração e nas pernas.

Do ouvido passam para todas as partes do corpo e ficam mal colocadas na alma. Acredito que devemos buscar uma maneira de nos limpar de tudo que o que nos contaram e nos ocultaram sobre nós mesmas.


Para cuidar de todos os corpos que estruturam a nossa saúde, de nada serve um manual para unir os retalhos descosturados de um corpo, seja ele o meu ou de uma paciente. Ou então acreditar em uma erva como uma solução mágica e aplicar uma cura em uma zona determinada para cicatrizar superficialmente.


Eu fiz muitas perguntas, mas sempre cheguei às mesmas respostas: o natural é melhor. O trabalho da medicina natural pede que você respeite o tempo das plantas e o tempo que o seu organismo precisa para se curar. Não serve de nada se não estivermos conectadas com a energia vital de uma planta medicinal, pois como ensinam as curandeiras, o que nos cura é a alma da planta. Pode ser que você ache isso uma loucura, mas continue lendo.


As plantas medicinais que indico ou utilizo para compor os óleos não trabalham sozinhas, elas ajudam e acompanham processos de cura conscientes. Nos ajudam na medida em que nós mesmas queremos nos curar. Esse é o ponto mais importante. Nós precisamos querer nos curar, olhar para nossas feridas, deixando de lado aquele movimento de positividade tóxica.


É normal não estar bem o tempo todo. Claro que precisamos de limites e bordas mas precisamos também ser mais permissivas com nossas sensações e emoções. Temos a tendência de responsabilizar quem está fora , culpar os outros pelo que carregamos. Mas, no fundo, a escolha de levar adiante padrões que consideramos pouco saudáveis é só nossa. A transformação é individual, por mais que ela impacte as pessoas ao nosso redor.


Comecei esse texto me perguntando porque a travessia me atrai. Talvez porque a trilha para esse destino misterioso, que é viver um dia de cada vez, também passa por estações de alegria. E nessa caminhada eu me transformo. Às vezes menina, mulher, mãe e até avó do meu tempo.






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